ITUTINGA

Portal dos Campos das Vertentes

O Brasil que ninguém viu

  Texto e fotos: Paulo Gaia

Itutinga é a porta de entrada para os Campos das Vertentes — região localizada entre o Triângulo Mineiro e o Sul de Minas —, onde o cerrado abunda e as serras compõem os mais perfeitos cenários. Nascentes brotam por toda parte, cachoeiras derramam das alturas e nos rios, botes e caiaques enfrentam poderosas corredeiras. Asas delta e parapentes serpenteiam os céus, lendas e mistérios envolvem monumentos esculpidos pela natureza em rochas de arenito, rios subterrâneos guardam eternos segredos. Sua gente ainda tem hábitos simples, como receber em casa o leite entregue a cavalo. Em Itutinga é comum navegar em canoas de madeira, ouvir o alto-falante da igreja, pescar no rio o peixe do jantar e até fumar cigarros de palha. Na cidade, os liquens brotam nos telhados das casas anunciando o ar puro; na natureza, convivem em harmonia o tucano, o lobo guará, a capivara, o veado campeiro, candeias, bromélias, e uma infinidade de orquídeas.

A primeira hidrelétrica de Minas Gerais foi instalada em Itutinga. Juscelino Kubitschek, então governador de Minas, inaugurou, em meados de 1954, a Usina de Itutinga que se valeu dos desníveis do Rio Grande e formou a Represa de Itutinga. Em 1961 é inaugurada a Usina de Camargos também no Rio Grande, o que proporcionou a formação do grande lago de Camargos. Pouco depois, em 1968, instala-se a subestação de Furnas no complexo, com paisagismo de Burle Marx, para distribuir o potencial energético produzido. Desde então, as torres de distribuição se espalharam e, de certa forma, se incorporaram à paisagem, permeando montanhas, campos rupestres, cerrado, matas. As torres acabaram por constituir uma referência de navegação.

O trekking que faz a travessia da Serra do Pombeiro inicia ao pé de uma torre. Depois desvenda campos de altitude, vegetação de afloramento de rocha maciça e o espetacular complexo da Cachoeira das Aranhas. É impossível ter de volta na memória a torre em meio à tão deslumbrante cenário.

Da mesma forma, quem faz a travessia da Serra Ouro Grosso começa a caminhada em um par de torres ao sopé da Pedra do Cruzeiro, mas acaba por se extasiar com a beleza do lugar. As torres sempre ficam para trás e a natureza se revela exuberante ao passo que se adentram os lugares mais longínquos do município, muitos ainda inexplorados e escondendo segredos.

O turismo local ainda está em fase de implantação. A infraestrutura não comporta uma demanda muito grande de visitantes, o que proporciona muita tranqüilidade para o turista que se instala. São duas pousadas, um hotel, duas áreas de camping e somente três, mas muito bons, restaurantes. Opção interessante é se hospedar nas fazendas, viver o dia a dia do campo; apartar o gado, fazer a ordenha, comer comida preparada em fogão a lenha e tomar banho em água canalizada das nascentes.

Os roteiros disponíveis garantem atividades para qualquer disponibilidade de tempo de permanência. Num único final de semana é possível fazer quatro atividades diferentes em locais diversos. Da mesma forma, um final de semana prolongado pode ser totalmente preenchido de atividades. Mas para conhecer todos os encantos deste lugar, é melhor tirar férias.

Nos arredores da cidade existem muitos pontos de visitação. É possível sair da pousada a pé e ir em poucos minutos até um deles. Um bom exemplo é a caminhada do Tanque do Moinho: uma trilha leva até o Rebojo, uma curva do Rio Grande, e desce acompanhando o rio por dentro da mata ciliar — entre copaíbas, ingás e jatobás — até outra trilha que sobe acompanhando o Ribeirão Grande e chega à cachoeira do Tanque do Moinho. No local há um moinho movido a roda d’água em ruínas e outro funcionando, onde pode-se ver o milho sendo moído a pedra como antigamente. Outro exemplo é a visita à Pedra do Cruzeiro, um mirante de onde se vê toda a cidade e o pôr do sol. Ainda, caminhando a partir da cidade, pode-se ir à Serra Ouro Grosso e fazer um rapel nos paredões de arenito ou praticar um boulder e, com sorte, avistar um lobo guará. Há também o Poço da Sereia, o Cuca na Água, a Lajinha, o Morro Pelado, o Boqueirão...

Mas, lugares bonitos e atividades ao ar livre se distribuem por toda parte. O passeio mais distante requer um dia todo, é a exploração do Cânion Sumidouro, na divisa com Ingaí, um trecho do Rio Capivari conhecido por Funil. A caminhada começa na parte baixa do rio, por praias e trilhas, e sobe o rio até alcançar as pedras. Entre os enormes paredões de arenito e quartzito do cânion, de repente, o visitante chega a um poço e percebe que dali para cima não há mais água. O leito segue seco mostrando as rochas de basalto. Neste ponto o rio brota e forma a ressurgência, um fenômeno que não deixa o banhista afundar pelo efeito da correnteza ascendente. Aproximadamente quatrocentos metros acima, o cânion se estreita como um funil; e de uma cachoeira, o rio desaparece no sumidouro. Para cima do funil o rio é calmo e pode ser percorrido de duck. No verão, esqueça, o nível das águas chega a subir mais de 10 metros transformando o cânion numa única e imensa corredeira.

Um pouco mais aquém está, talvez, o lugar mais misterioso da região: Sete Pedras. Durante milhares de anos a ação dos ventos e das chuvas esculpiu nas rochas de arenito belíssimos monumentos naturais. Sete Pedras se assemelha à ruínas de uma cidade da qual só sobraram as colunas. Quem lá chega, passa pelo Portal vigiado pela Pedra do Guardião. Passando-se pela esquerda do Guardião e contornando por trás dele, encontra-se a Pedra do Altar. Passando pela direita, a Pedra do Elmo. A Pedra do Astronauta parece vigiar o vale lá embaixo, como se o personagem tivesse escolhido o melhor lugar para sua observação, a encosta da montanha.

Talvez pelo seu aspecto misterioso, incomum, Sete Pedras é envolto por um clima de magia e misticismo. Segundo lendas, seu chão era coberto de cristais. Há quem diga que o platô da montanha é um campo de pouso de discos voadores, e moradores dos arredores da Serra da Mata do Coelho, onde estão as Pedras, afirmam ver luzes rondando a montanha à noite. O local é utilizado para cerimônias de iniciação Reiki por grupos esotéricos.

No extremo sul do município está o maior desnível de Itutinga, a Serra de Carrancas, que chega a apresentar diferenças de 280 metros de altura em alguns pontos e tem 15 quilômetros de extensão. Para fazer a travessia da Serra de Carrancas por cima dos paredões são necessários dois dias de caminhada. A vista que se tem durante o trekking, entretanto, constitui um espetáculo dos mais bonitos. Mais dois dias são necessários para fazer o caminho por baixo, beirando e apreciando os paredões. Neles nidificam maritacas, papagaios, gaviões, canários e outras aves. É uma região riquíssima em mananciais, toda recoberta por vegetação nativa e de difícil acesso.

Não há como descer os precipícios da serra, não há possibilidade de trilhas. Para baixo, só mesmo de asa delta ou parapente a partir da rampa instalada próxima ao Salto.

Toda a extensão da Serra de Carrancas pode ser vista a partir do Morro da Baleia, ao final da Serra do Pombeiro, já quase divisa com Itumirim.

O Morro da Baleia se assemelha a um grande cachalote para quem o observa de longe. É composto de um monte principal, a cabeça da baleia; e um outro menor, o rabo. Dele tem-se uma visão de 360º e avista-se as cidades vizinhas, a Represa de Camargos e os 372,08 km2 do território de Itutinga. A caminhada até o topo da baleia dura quase duas horas de muito esforço, mas vale a pena.

Os amantes de caminhadas terão muito com que se deliciar em Itutinga. A Serra da Chapada é o primeiro ponto a chamar a atenção de quem chega à cidade pela BR 265 vindo de Belo Horizonte ou São Paulo. A seus pés está uma reserva florestal com espécimes de madeira de lei. Na reserva da CEMIG, na Serra Ouro Grosso, vivem lobos guará. Nela há uma trilha ecológica que pode ser visitada com prévio agendamento. Da mesma forma, a CEMIG disponibiliza para visitação o Viveiro de Mudas, que existe para fazer replantio de matas ciliares e a Piscicultura, que faz o repovoamento do Rio Grande acima das barragens.

 

Por volta de 1760, bandeirantes em busca do ouro marcam o início de um povoado que deu origem ao Arraial de Santo Antônio da Ponte Nova, devido a construção de uma ponte de madeira sobre o Rio Grande. No local foi erigida uma capela sob a invocação de Santo Antônio, ainda hoje padroeiro. A 9 de setembro de 1924, o distrito de Santo Antônio da Ponte Nova passa a denominar-se Itutinga. Ytu-tinga, na linguagem indígena, quer dizer cachoeira grande. Alguns historiadores traduzem como “Salto Branco”.

Mas o que ninguém sabia é que a “cachoeira grande” ou “salto branco” seria um dia palco de rafting. A referência a estes termos dizem respeito à Corredeira do Mangue, um trecho do Rio Grande de aproximadamente 600 metros em que as águas se agitam no desnível do leito, por entre as pedras, e formam uma grande corredeira de águas verdes e espumas brancas. E as corredeiras vão se sucedendo rio abaixo: Quebra Canoa, Barro Preto, do Meio, da Ilha, num total de sete corredeiras até o Pesqueiro, a mais violenta, técnica e emocionante.

A Cachoeira do Pesqueiro foi detonada para facilitar a subida dos peixes que se tornavam presa fácil na época da piracema. Até esta época era possível retirar toneladas de peixes que se acumulavam sob a cachoeira numa só pescaria, razão de seu nome. Hoje o rio flui numa grande corredeira, mas ainda pode-se pescar dourado, piapara, piracanjuba, piau e, melhor, descer de caiaque, bote, bóia.

O Núcleo Pesqueiro de rafting, canoagem ou bóia compreende sete corredeiras, cada uma delas com várias batidas, num total de 8 quilômetros de rio que podem ser percorridos em menos de duas horas de rafting. As primeiras 6 corredeiras apresentam níveis 2, 3 e 4. A seqüência final, do Pesqueiro, nível 5, começa com um forte desnível e joga o bote de frente com uma parede de granito, obrigando a uma manobra rápida para a esquerda e, imediatamente, a correção para a direita para desviar das pedras que afloram. Aí o bote cai num remanso em “S”. O guia tem que posicionar o bote na entrada da corredeira final à esquerda do remanso. Neste ponto o grupo tem que remar forte para não entrar no refluxo existente à esquerda da entrada e que forma um tubo que fatalmente vai virar o bote. Deste ponto em diante a corredeira desce reta, e o bote vai bater mais 5 ou seis vezes. Em alguns pontos ele parece decolar, em outros, literalmente, mergulha. Logo à esquerda o Rio Grande forma uma grande praia, fim do rafting.

O Núcleo Mato Dentro compõe-se de dois conjuntos de corredeiras, a do Mato Dentro e a Iracema. Ambas são nível 5 e somente recomendadas a pessoas muito experientes. O desnível do rio é muito abrupto, a quantidade de manobras é muito grande e a velocidade das águas exige muita presença de espírito, reflexo rápido e experiência. O barulho das águas se torna tão alto que mal se ouve os comandos do guia. Há trechos em que o bote se dobra para passar nas gargantas e os tripulantes têm que ir ao centro. Algumas batidas constituem verdadeiras cachoeiras, com 4 a 5 metros de altura.

Os dois núcleos podem ser percorridos no mesmo rafting, mas o remanso entre eles é muito grande.

As águas são o estigma de Itutinga, culpa dos Campos das Vertentes.

A Cachoeira das Andorinhas é formada por 3 quedas no mesmo patamar de pedra sabão. Uma delas desce toda negativa, o que permite um cascading perfeito. No verão, ao jogar a corda, milhares de andorinhas saem em revoada do paredão da cachoeira onde habitam durante sua estada, numa fileira sinuosa, e formam uma grande nuvem escura no céu, que aos poucos vai se dispersando.

O local permite um canyoning. A saída deverá ser feita da Cachoeira do Açude, alguns quilômetros de rio acima na propriedade do Carlos Roberto, e o rio vai apresentar trechos de mata fechada e várias pequenas cachoeiras pelo caminho.

A Cachoeira das Andorinhas está dentro da propriedade do seu Balbino, bom de prosa. Convém pedir autorização e respeitar o ambiente familiar e o meio ambiente.

A Cachoeira das Aranhas, na Serra do Pombeiro, é, na verdade, um complexo de cachoeiras e poços protegidos por mata ciliar em meio ao cerrado. A água é muito transparente e fria mesmo no verão devido a altitude e proximidade das nascentes. O rio desce pelo leito de imensas pedras por mais de mil metros de extensão e, apesar da altitude e da grande quantidade de cachoeiras, peixes habitam o local. Ideal para quem gosta de mergulhar das pedras e fazer flutuação com máscara e snorkel.

A Cachoeira do Raulino é também um complexo e impressiona pelo porte avantajado das quedas e pela quantidade e força das águas. É composta por 4 cachoeiras: a da Ponte, a de Cima, a do Raulino e a de Baixo. A Cachoeira de Baixo chega a cair na Represa de Camargos quando esta está com o nível alto. Quando isso acontece, as águas da represa encobrem a praia abaixo da cachoeira. Por ser toda positiva, não é própria para rapel, mas de vez em quando alguém ancora.

 

Box 1: 

Areado: a ferida.

 

Todas as pessoas adultas de Itutinga brincaram, na infância, nas dunas do Areado. Hoje, o que deveria ser um importante ponto turístico da cidade — inclusive para a prática do sand board —, é uma cratera branca no cerrado ao pé do Ouro Grosso.

Há vinte anos a Mineração Roger iniciou as obras de extração de areia pondo fim às dunas. Depois passou a destruição para as máquinas da Cia. Mineira de Mineração e de quatro anos para cá a empresa Casil, do multinacional Grupo Saint-Gobain, se encarrega da carnificina. Diariamente são extraídos 30 a 40 caminhões de material que iniciam o processo de industrialização na cidade vizinha de Nazareno. Depois de lavada, a areia segue para a unidade da empresa em Barbacena onde parte do material se transforma em argamassa Quartzolit (por empresa do grupo) e abrasivos como lixas e rebolos. O filé mignon, entretanto, é exportado para confecção de produtos cerâmicos na indústria de computadores. Itutinga fica apenas com o buraco causado pelas máquinas e com a destruição de sua paisagem.

Em entrevista à Revista Adventure o Eng. José Domingos Pereira, responsável pela mineração, afirmou que “pelas reservas existentes no local e considerando o que se tirou até hoje, seguramente a extração continuará por mais 50 anos, se for mantido o ritmo atual”. E justifica que o trabalho “é licenciado pelo FIAM/COPAM. Tem duas licenças: a do Direito Minerário do DNPM - Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério das Minas e Energia e duas Concessões de Lavra que vão ser aglutinadas. E o licenciamento ambiental é feito na Fundação Estadual do Meio Ambiente pelo Conselho Estadual de Política Ambiental - FIAM/COPAM. A empresa procura se adaptar a Certificações e tem toda uma política interna de atuação na área de meio ambiente e segurança do trabalho. Já possui ISO 9001 e está fazendo os procedimentos para Certificação ISO 14001”. Pode?

Até agora a área explorada não passa de 8 a 10 hectares e o direito minerário da Saint-Gobain é de mais de 200 hectares.

Um turista desavisado certamente imagina que o estrago na paisagem é fruto de descaso das autoridades locais e vistas grossas do IBAMA. 

 

Box 2: 

Pequi, a carne do cerrado.

 

As árvores do cerrado têm características muito peculiares, com troncos retorcidos e cobertos por uma grossa camada de súber, que os protege nos incêndios, e folhas geralmente grandes e rígidas. Por esperarmos de sua diversidade uma vegetação tosca, o cerrado nos surpreende com delicadas flores de grande beleza que se destacam na paisagem rude entre rochas e gramíneas.

Espécies como Araticum, Aroeira-Brava, Barbatimão, Copaíba ou Pau-de-óleo, Gabiroba, Macaúba, ou a Fruta-de-Lobo, essencial na alimentação do lobo guará, impressionam por suas aplicações na medicina. Servem para um sem número de utilidades que vão desde simples dores de dente à composição de complexas substâncias empregadas na indústria farmacêutica. Mas é impossível caminhar por Itutinga sem se deparar com o Pequi (Caryocar brasiliense), árvore que dá um fruto de mesmo nome, carnoso, com polpa alaranjada e sementes arredondadas e oleaginosas com espinhos internos.

O pequi serve de alimento aos animais silvestres, como arara, tatu-peba, veados e é utilizado no preparo de vários pratos e licores. O alto índice de proteína encontrado no pequi lhe valeu a alcunha de “a carne do cerrado”. É árvore protegida por lei pela Portaria nº. 54, de 05/03/87 – IBDF que impede seu corte e comercialização em todo Território Nacional.

Quem visita Itutinga não pode deixar de experimentar o Licor de Pequi da Dona Neide, delicioso produto artesanal feito com frutas colhidas na natureza sob centenária receita passada de mãe para filha por várias gerações.

  

Box 3: 

Reiki, a cura pelas imposição das mãos.

 

O Reiki pode gerar saúde e paz. Consiste na canalização da energia cósmica universal e sua aplicação tem o objetivo de criar um estado interior de harmonia.

O processo de cura se desenvolve com o fluir da energia e atua por meio da imposição de mãos. Assim, qualquer pessoa pode aplicá-lo para tratar a si mesma ou ajudar outras pessoas. É necessário apenas que seja sintonizada por um Mestre devidamente habilitado. O Reiki, cujo princípio ativo é a harmonização natural, cria o equilíbrio necessário para que a pessoa possa lidar de forma mais segura e tranqüila com os acontecimentos do dia-a-dia.

Mariana Bessa, de Petrópolis - RJ, visita regularmente Itutinga e desenvolve um trabalho de terapia e iniciação nos 4 níveis de Reiki. Contatos pelo e-mail twillailla@bol.com.br.

Fonte: Reiki - A energia transformadora de Sílvio Ferreira Leite.

 

Dos mais de 60 roteiros disponíveis para visitação dentro do município de Itutinga, alguns estão planilhados. São mais de 500 km de estradas de terra ligando os pontos de visitação e fazendas, prato cheio para quem encara um pedal. É fácil conseguir planilhas nas operadoras e na Associação de Guias.

Uma boa pedida para um interessante passeio de bike é visitar a Capela do Saco, lugar histórico, de construção antiga, com um pequeno povoado e uma igreja conjugada a um cemitério. Tudo cercado por muros de pedra construídos por escravos no século XVIII. Capela do Saco lembra uma vila a beira-mar, com píeres e bares que servem nas calçadas da orla. Da praia sai a Balsa da Capela que faz a travessia da Represa de Camargos.

O percurso até a Capela utiliza trechos da Estrada Real, caminho que, no Ciclo do Ouro, levava as riquezas de Minas Gerais para o porto de Parati.

Mas nem só os esportes de aventura e o ecoturismo têm lugar em Itutinga. O grande espelho d’água formado pela Represa de Camargos possibilita a prática dos esportes náuticos, inclusive os de vela. Esta característica atraiu veranistas para as margens da represa e os condomínios se proliferaram com suntuosas residências, lanchas e jet-skis. É fácil alugar um barco a motor para conhecer as belezas de Camargos. Mas a remo, num caiaque, o sabor é diferente.

A Represa de Itutinga, menor e mais abaixo no Rio Grande, igualmente proporciona lindas remadas. Principalmente na região da Garganta onde grandes paredes de arenito se elevam das margens. Aqueles mais românticos podem optar por uma canoa de madeira, à moda antiga.

A pesca é permitida nas duas represas e nos rios Grande e Capivari, com exceção à época da piracema.

 

Em Itutinga, nas casas mais antigas, as janelas dão para a calçada e as pessoas dormem com elas abertas nos dias de calor. A violência não existe. O Posto Policial atende, vez ou outra, a um caso de briga por excesso de álcool em alguma festa, um furto bobo de animais e raramente algo mais sério como roubo de gado. O último crime que se tem notícia aconteceu há mais de 8 anos, época em que aventureiros em busca de ouro apareceram de toda parte para garimpar o precioso pó no Rio Grande. Hoje o garimpo está fechado.

As pessoas de Itutinga se dedicam a atividades pouco praticadas nos grandes centros urbanos, como a jardinagem; algumas casas têm lindos jardins. É comum ouvir um tropel de cavalo, nem que seja o leiteiro fazendo suas entregas diárias. À noite, nos finais de semana, todos põem roupas novas, namoram de mãos dadas nos bancos do jardim, vão à missa, acompanham procissões. O espírito de religiosidade está enraizado nos pouco mais de 4 mil habitantes, gente de coração simples.

Em contrapartida, Itutinga é a única cidade brasileira com menos de 10.000 habitantes que possui uma torre de telefonia celular. O “monumento” de alta tecnologia erigido no alto da Pedra do Cruzeiro, em contraste com casas simples de bem cuidados jardins, proporciona o conforto de manter o visitante conectado ao mundo em qualquer roteiro que ele faça dentro do município.

 A preocupação com o bem estar do visitante levou a prefeitura a investir pesado em infra-estrutura desde que foi estabelecida a prioridade para o turismo, uma vez que não há indústrias e as atividades ligadas ao turismo seriam a saída de desenvolvimento. A cidade não tinha sequer um metro de esgoto e hoje conta com um sistema de tratamento ecologicamente correto (Revista Néz Adventure nº. 33 - Págs. 22 a 24) que já atende 60% da área urbana. Suas vias principais foram asfaltadas e sua praça recuperada. De fazendas comunitárias à criação de uma fundação, 17 projetos sociais foram desenvolvidos e implantados para melhorar a qualidade de vida da população.

Em conseqüência disso o artesanato ganhou novo fôlego e novos eventos foram criados para diminuir o efeito da sazonalidade. Itutinga faz aniversário em 1º. de janeiro. E o calendário de festas se estende por todo o ano. Tem Festa do Maracujá, Torneio Leiteiro, Festa do Jacarandá, Exposição Agropecuária, Festas Juninas, Festa de Santo Antônio, Festa do Rosário, Folia de Reis, Congada e outros. Para 2004 poderão ser criados ainda mais eventos, como o Add Blues Venture e uma grande feira de artesanato.

  

Como chegar:

Saindo de São Paulo ou Belo Horizonte: Rodovia Fernão Dias - BR 381 - utilizar a saída 678. Tomar a BR 265, passar Lavras e seguir até o km 311.

Saindo do Rio de Janeiro: Tomar a BR 040, passar por Três Rios, Juiz de Fora e ir até Barbacena. Entrar na BR 265, passar São João Del Rei e seguir até o km 311.

Empresas de ônibus: Gardênia, Vale do Ouro e Paraibuna.

 

Onde ficar:

Pousada Nascimento - Quartos e suítes - 35 - 3825-1262

Pousada Novo Milênio - Chalés - 35 - 3825-1209

Hotel Rio Grande -  Apartamentos e chalés - 35 - 3825-1282

Fazenda da Pedra - informe-se

Lajinha Camping Bar -  informe-se

Camping da Prainha -  informe-se

 

Onde comer:

Restaurante Aparecida - 35 - 3825-1158

Restaurante São Geraldo - 35 - 3825-1204

Restaurante do Hotel Rio Grande - 35 - 3825-1282

 

Telefones úteis:

Associação de Guias Locais - 35 - 3825-1205

Prefeitura Municipal - 35 - 3825-1185

Hospital - 35 - 3825-1230

 

Dicas:

• Solicite no comércio local o seu Guia Turístico Itutinga 2003 com todas as informações de estabelecimentos comerciais, serviços e roteiros.

• Itutinga tem um Posto de Atendimento Bancário do Bradesco na agência dos Correios que funciona apenas no horário comercial e um Posto de Atendimento da Caixa Econômica Federal. Nenhum tem auto atendimento

• O único estabelecimento que aceita cartão de crédito é o Hotel e Restaurante Rio Grande

• Há apenas 1 posto de combustível

• Faça sua reserva antes de viajar

• Use e abuse do seu celular

 

Operadoras:

• Conexão Aventura - Itutinga - 35 - 3825-1265

• Lazer e Aventura - São João Del Rei - 32 - 3371-9981 - 9981-3474

• Aquatrilha - Lavras - 35 - 3822-8922 - 9969-5576

 

Agradecimentos:

• À Adriana Freitas, companheira de aventuras e de todas as horas;

• Ao Prefeito Municipal, Sr. Antônio Alves de Paiva, pelo apoio e colaboração;

• À todos os funcionários da prefeitura;

• Ao Célio do Nascimento, por ter guiado as primeiras trilhas;

• À Nathiele A. Soares, pela prestatividade;

• Ao Luiz Camilo Azarias, companheiro de várias aventuras;

• Ao Carlos Roberto de Andrade por ter mostrado lindos lugares;

• Aos irmãos Marcelo e Ricardo da Lazer & Aventura pela grande força; e

• Ao Erik e ao Alex da Aquatrilha pela parceria.

 

Mais informações:

www.itutinga.tur.br